A defesa da liberdade


“Há quem viva sem dar por nada”, condição que o tempo presente torna praticamente impossível que se realize. Sabemo-lo todos, algo acontece que transforma brutalmente a condição das nossas vidas. Podemos, sim, não perceber o rumo das coisas, pode ser-nos distante a maneira como encaixam nos carris os muitos vagões de ideias, notícias, factos ou opiniões. Mas damos por isso. E dar por isso já é um efeito da liberdade que vivemos, da liberdade que devemos defender. 

Parece, por vezes, que a confusão do mundo necessita de uma ordem. Para descomplicar os dias e retirar as nuvens de um céu que gostamos de ver totalmente azul. Ainda que seja nos vários matizes do branco e do cinzento das nuvens que o caminho melhor fica iluminado. Também há quem goste de associar ordem a descanso, a uma certa paz que nos permite sentir que nada acontece, apenas nós próprios, no silêncio das nossas existências. Mas onde há silêncio não ecoa aquilo que nos agarra à vida. E o que nos agarra à vida é essa liberdade que vivemos, essa liberdade que devemos defender. 

De todos os lados nos acenam com certezas rígidas como ferros. Ferros onde acabamos presos, se os aceitamos sem pensar. É no pensamento que abrimos alas para questionar, quer o que esteve instituído, quer a revolução que nos oferecem a horas marcadas. De nada nos vale o 25 de abril se o 25 de abril não servir para sermos aquilo que queremos ser. De acordo com o que nos identificarmos, da maneira que desejarmos, da forma que bem entendermos, com aqueles que queremos por perto. Sem donos ou senhores. Sem qualquer tipo de amarras. Como esta liberdade que vivemos, esta liberdade que devemos defender.